Não faltam opiniões negativas online. A maioria não vale a pena se envolver. De vez em quando, porém, percebo um padrão na forma como certas ideias são apresentadas – não porque sejam absurdas, mas porque parecem razoáveis o suficiente para passar despercebidas sem serem questionadas. Uma dessas abordagens aparece muito em discussões sobre herança. Há uma narrativa crescente de que alguns bens "acrescentam ao luto" quando são passados – que um lucro financeiro pode se tornar um fardo dependendo da forma que assume, introduzindo estresse, complexidade ou peso emocional desnecessários para os herdeiros. Mas a conclusão não se segue. Ativos não causam sofrimento. Confusão, silêncio e planejamento ruim resolvem. Quando uma herança se torna um fardo, raramente é por causa do que foi deixado para trás. É porque os herdeiros ficaram sem clareza. Eles não sabem o que existe, onde está ou o que devem fazer a seguir – e são forçados a descobrir isso enquanto vivem o luto. Isso é verdade, seja o ativo uma casa de veraneio, um pequeno negócio, uma conta de corretagem... Ou cripto. Cripto frequentemente é classificada na categoria "complicada". As preocupações são familiares: carteiras podem ser perdidas, herdeiros podem não entender a tecnologia e o tratamento tributário pode parecer opaco. Esses riscos são reais. Mas eles não são únicos. Qualquer ativo moderno que dependa do acesso digital pode efetivamente desaparecer se ninguém souber como encontrá-lo. Contas de corretora. Banco online. Até mesmo ativos físicos que ninguém sabe que existem. O ponto de falha não é o ativo. É a falta de comunicação. Onde essa abordagem erra é ao tratar cripto como inerentemente frágil – como se a perda fosse uma característica do próprio ativo. Cripto não desaparece porque é instável. Ele desaparece quando o planejamento para na propriedade e nunca chega à execução. Na verdade, quando devidamente documentada, a cripto pode ser um dos ativos mais limpos para ser transmitida. A propriedade é verificável. Os ativos são líquidos. Os bens podem ser divididos com precisão. Não há obrigações contínuas. Sem pressão emocional ligada a uma propriedade ou relíquia específica. O cenário também mudou mais do que muitos reconhecem. Uma grande parcela da exposição às criptomoedas hoje está em ETFs ou em exchanges reguladas, onde custódia, acesso e transferência se assemelham muito aos ativos financeiros tradicionais. Transferir ações de um ETF de Bitcoin mantido em uma grande corretora é tão simples quanto uma herança pode ser. Isso não é realmente sobre defender criptomoedas. Trata-se de planejamento, clareza e responsabilidade. ...