A fala clara e precisa aumenta significativamente a atratividade percebida das vozes femininas, mas tem pouco ou nenhum impacto nas vozes masculinas. Este é um dos principais insights de um estudo de 2021 que explora a atratividade vocal. Os pesquisadores gravaram 42 falantes (tanto homens quanto mulheres) lendo passagens e depois pediram a grupos separados de ouvintes que avaliassem quão atraente cada voz soava. Eles se concentraram em uma característica acústica chave chamada área do espaço das vogais, que quantifica quão distintamente e amplamente espaçadas estão os sons das vogais de um falante — essencialmente uma medida da clareza da articulação. Um espaço de vogais maior indica uma fala mais clara e precisa. Para as mulheres, essa clareza foi um poderoso preditor: o tamanho do espaço das vogais de uma mulher representou até 73% da variação em suas classificações de atratividade vocal. Em resumo, quanto mais clara e articulada ela falava, mais atraente sua voz era considerada. Para os homens, no entanto, nenhuma relação semelhante surgiu. Uma articulação mais clara não fez suas vozes parecerem mais atraentes. Os pesquisadores propõem uma explicação evolutiva para essa diferença de gênero. A fala precisa e inteligível nas mulheres pode sinalizar traços positivos, como boa saúde, controle motor fino ou fortes habilidades sociais — qualidades que poderiam ter sido favorecidas na seleção de parceiros ao longo da história humana. Em contraste, a atratividade vocal masculina parece ser mais complexa: algumas teorias sugerem que uma fala ligeiramente mais áspera ou menos precisa se alinha com percepções de masculinidade, enquanto uma articulação excessivamente pouco clara pode indicar problemas de saúde. Esses fatores concorrentes poderiam neutralizar qualquer ligação clara entre articulação e atratividade nos homens. Em última análise, o estudo destaca que, embora a comunicação clara seja universalmente valorizada, seu papel na formação do apelo vocal é muito mais pronunciado — e específico de gênero — do que poderíamos supor. [Irons, S. T., & Feinberg, D. R. (2021). "Examinando a atratividade vocal através do espaço de trabalho articulatório." The Journal of the Acoustical Society of America, 150(2), 1548–1561]