Meus dois patacones: Escute José Luis. O dólar fornece a função de reserva de valor na Argentina e o peso fornece um meio de troca. Pessoas ricas economizam quase inteiramente em dólares. Do ponto de vista político, a esperança é que reduzir a inflação e o ajuste gradual de câmbio permitam tanto maior estabilidade do peso quanto o retorno da competitividade, fatores que, por sua vez, facilitariam a remonetização progressiva (trocando o USD para o ARS). A Argentina precisa de uma taxa de câmbio mais competitiva. Mas chegar lá com um free float aqui e agora desencadearia outra onda de inflação e minaria ganhos arduamente conquistados em expectativas e estabilidade macroeconômica geral. Chegar gradualmente a uma taxa de câmbio mais competitiva também tem seus problemas, mas aqui é mais consistente com os objetivos de remonetização. Arrancar o curativo e assumir toda a dor logo de cara sempre soa mais virtuoso, mas as expectativas dependem do caminho, e a estabilização macro é toda sobre expectativas. Há uma questão adicional sobre o tamanho dos potenciais fluxos de capital em relação aos fluxos da conta corrente na escolha de uma taxa de câmbio ótima para a Argentina, mas isso é assunto para outro dia.