A minha colega costumava fazer o caminho longo para casa todas as noites. Duas paragens de autocarro a mais, mais caminhada, mais dinheiro, mais tempo. Um dia perguntei-lhe porque é que não ia pelo atalho na rua atrás do nosso edifício. Ela riu e disse: “Oh, porque um tipo me seguiu lá uma vez e disse-me que podia ‘fazer o que quisesse’ e que ninguém me ouviria gritar.” Então agora, todas as noites, ela liga a um amigo masculino e finge que está ao telefone com o “namorado.” Às vezes, ela até ri alto e diz coisas como: “Sim, vejo-te em cinco minutos, querido,” mesmo quando está completamente sozinha. Não porque queira atenção. Não porque seja dramática. Porque soar “ocupada” e “protegida” é mais seguro do que soar como uma mulher sozinha. Os homens não conseguem sequer começar a entender os cálculos que as mulheres fazem todos os dias apenas para chegar a casa vivas.