Um restaurante movimentado, uma sala de jantar barulhenta e um mal-entendido inocente se transformaram no tipo de refeição que vou ser zoada para sempre. Entrei com fome, aquele tipo de fome em que você não lê cardápios, você escaneia. O garçom veio, alegre e confiante, e perguntou o que eu queria. Vi "Prato de Carne" no quadro atrás dela e disse: "Aquele aqui. A carne." Ela assentiu, anotou e desapareceu na cozinha. Sem aviso. Sem levantar a sobrancelha. Nenhuma dica gentil de que eu estava prestes a fazer uma escolha de vida da qual me arrependeria. Quando o prato chegou, parecia perfeito. Cheirava... respeitável. Eu dei uma mordida. O sabor me atingiu como um aperto de mão educado. A textura era próxima, mas não o suficiente. Tinha gosto do primo otimista da carne, aquele que se esforça muito, mas não foi feito para o negócio da família. Conferi o cardápio novamente. "Carne Vegetal, nossa assinatura sustentável." Meu coração afundou. Me arrependi muito. O garçom passou, viu minha expressão e disse: "Ah! Primeira vez tentando a opção à base de plantas?" Assenti, mastigando devagar, como um homem refletindo sobre cada decisão que o levou até aquele momento. Ela se ofereceu para me trazer a carne de verdade, mas o orgulho é algo poderoso. Terminei a carne de origem vegetal por pura teimosia, cada mordida um lembrete para ler os cardápios com mais atenção. Agora, toda vez que entro naquele restaurante, a equipe me cumprimenta com a mesma frase: "Vai ficar com a clássica carne hoje?" E eu sempre, sempre confero o cardápio duas vezes.