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O que acontece quando os agentes de IA ficam livres para conversar — sem tarefas, sem prompts e sem objetivos?
Pesquisadores no Japão descobriram que grandes modelos de linguagem começam a apresentar comportamentos distintos, semelhantes aos individuais, ao longo do tempo. Quando esses agentes interagem livremente, sem qualquer orientação ou recompensa, padrões únicos surgem: alguns se tornam mais agradáveis, outros mais cautelosos ou reservados. Essas características não são explicitamente programadas — elas surgem naturalmente das próprias trocas sociais.
Para medir isso, a equipe aplicou ferramentas psicológicas, incluindo a hierarquia de necessidades de Maslow (o modelo clássico que classifica as motivações humanas desde a sobrevivência básica até a autorrealização). Os agentes apresentavam tendências variadas ao responder a perguntas ou resolver conflitos, e essas tendências se tornaram mais consistentes e estáveis com a interação contínua.
Claro, essas não são verdadeiras personalidades humanas. Como observa o cientista da computação Chetan Jaiswal, eles derivam de vieses nos dados de treinamento, da influência dos prompts e da forma como os modelos lidam com a memória. Ainda assim, os resultados podem parecer surpreendentemente autênticos para os usuários — com IAs demonstrando preferências, emoções e consciência social aparentes.
Isso tem implicações reais. Traços semelhantes à personalidade constroem confiança, o que, por sua vez, reduz o escrutínio crítico. As pessoas tendem a seguir conselhos com mais facilidade, ignorar erros ou desenvolver laços emocionais com IA que se comporta de forma consistente e parece emocionalmente inteligente.
À medida que os sistemas de IA se tornam mais adaptativos e relacionais, eles também se tornam mais persuasivos — para o bem ou para o mal. Isso levanta questões cruciais sobre design, ética e segurança.
Mesmo sem verdadeira intenção ou autoconsciência, esses traços emergentes já influenciam as interações entre humanos e IA. A questão não é se isso vai acontecer — está acontecendo agora.
["Emergência espontânea da individualidade do agente por meio de interações sociais em grandes comunidades baseadas em modelos linguísticos", Entropy, 2024]

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