Num pequeno parque de bairro, há um enorme Maine Coon que todos chamam de Capitán. Durante cinco anos, ele governou aquele pequeno pedaço de verde como um rei silencioso. Não agressivo. Não barulhento. Apenas constante. Observando do seu banco favorito como um gentil guardião da rua. Então, um dia, apareceu um pequeno gatinho branco. Ele era lindo. Frágil. E algo não estava certo. Ele continuava esbarrando em bancos. Jardineiras. Meios-fios. Ele não se assustava com movimentos súbitos. Não seguia os sons como os gatinhos fazem. Não demorou muito para os vizinhos perceberem a verdade. O gatinho era cego. Lá fora sozinho, ele não teria durado muito. Mas ele não ficou sozinho por muito tempo. Porque Capitán notou. A partir daquele dia, o grande Maine Coon nunca mais deixou seu lado. Ele começou a andar um pouco à frente, diminuindo seus longos e poderosos passos para que o gatinho pudesse roçar seu pelo espesso e seguir. Como uma corda guia viva. Quando os vizinhos colocavam comida, Capitán gentilmente o empurrava em direção às tigelas. Quando atravessavam a calçada, ele ajustava seu ritmo. Quando descansavam no seu banco favorito, Capitán enrolava seu corpo massivo em torno do gatinho como um escudo. E quando chovia? Ele se certificava de que o gatinho estava bem protegido sob a jardineira primeiro. ...